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Os mercados chegam à quarta-feira, 12, após uma sessão de forte aversão ao risco no Brasil. O Ibovespa despencou 2,50% na terça, 11, ampliando para quatro pregões a sequência de quedas, enquanto o dólar avançou quase 1%, mesmo com a moeda americana praticamente estável no exterior. O movimento refletiu principalmente a piora da percepção sobre o risco doméstico, em meio à combinação de juros elevados, cenário fiscal e eleitoral e ao rebaixamento da recomendação para ações brasileiras pelo JP Morgan.
Agora, os investidores voltam a atenção para uma agenda que tem como principal destaque a inflação nos Estados Unidos. O CPI de julho será divulgado às 9h30, no mesmo horário em que o mercado brasileiro ainda estará repercutindo os dados de atividade doméstica. O indicador americano será especialmente importante para as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
O que acompanhar
Às 9h30, o Bureau of Labor Statistics divulga o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos referente a julho. Em junho, a inflação caiu 0,4% na comparação mensal e acumulou alta de 3,5% em 12 meses.
O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, ficou estável em junho e acumulou alta de 2,6% em 12 meses. Para julho, as projeções citadas na agenda apontam para alta mensal de 0,1% no índice cheio e de 0,2% no núcleo. Na comparação anual, as expectativas são de 3,4% para o CPI e 2,5% para o núcleo.
O dado será acompanhado de perto porque pode alterar as expectativas para a trajetória dos juros americanos. Depois de uma terça-feira de quedas nas bolsas de Nova York, com recuos de 0,34% no Dow Jones, 0,32% no S&P 500 e 0,60% no Nasdaq, o mercado busca sinais sobre o comportamento da inflação e o espaço para mudanças na política monetária do Fed.
No Brasil, o primeiro indicador relevante do dia sai às 9h. O IBGE divulga o volume de serviços de junho, um termômetro importante para medir o ritmo da atividade econômica.
Em maio, o setor registrou queda de 0,4% na comparação mensal e avanço de 0,4% na comparação anual. O resultado será observado pelos investidores depois de a ata do Copom reforçar, na terça-feira, uma postura cautelosa em relação à trajetória dos juros.
Na semana passada, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. A ata divulgada na terça-feira, porém, não garantiu um novo corte na próxima reunião e destacou que as expectativas de inflação continuam desancoradas.
O dado de serviços, portanto, entra no radar em um momento em que o mercado tenta avaliar até onde o ciclo de flexibilização monetária pode avançar.
Às 11h30, os mercados acompanham os dados de estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos. Na última divulgação, os estoques aumentaram em 2,479 milhões de barris, enquanto a projeção para a nova leitura é de queda de 1,3 milhão de barris.
O petróleo segue no radar também por causa das incertezas envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz. Na terça-feira, o Brent para outubro subiu 1,36%, a US$ 88,91 por barril, enquanto o WTI para setembro avançou 1,30%, a US$ 83,20.
A indefinição sobre a passagem, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, mantém a commodity como um vetor importante de risco para os mercados.
No Brasil, às 14h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal até 7 de agosto. Na última divulgação, o saldo havia sido positivo em US$ 2,814 bilhões. O dado ganha importância depois da forte alta do dólar na terça-feira, quando a moeda terminou a sessão a R$ 5,161.
Ainda nos EUA às 14h, o Tesouro realiza leilão de T-notes de dez anos. O resultado será observado pelo mercado de renda fixa e pode influenciar as taxas dos Treasuries, com reflexos sobre outros ativos globais.
Às 15h, o Departamento do Tesouro americano divulga o balanço orçamentário federal de julho. Em junho, o governo registrou déficit de US$ 120 bilhões, enquanto a expectativa para julho é de um rombo de US$ 361,2 bilhões.
Agenda corporativa cheia no Brasil
No calendário corporativo, a quarta-feira também será movimentada, com uma extensa lista de balanços do segundo trimestre.
Entre as empresas que divulgam resultados estão Banco do Brasil, Rede D'Or, Suzano, Eneva, Equatorial, Ultrapar, CSN Mineração, Rumo, Copasa, Taesa, SLC Agrícola, CSN, Hapvida, Cogna, Azzas 2154, Minerva, Simpar, Moura Dubeux, Americanas, Casas Bahia, Qualicorp e Westwing.
Na agenda política, o governo federal pode lançar o Plano Nacional de Logística 2050. O Supremo Tribunal Federal também julga uma ação que questiona dispositivos da Lei Geral de Licenciamento Ambiental, incluindo pontos que flexibilizam as regras para o licenciamento.
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